Em Samba da Benção, Vinícius de Morais escreveu que "a vida é a arte do encontro embora haja tanto desencontro pela vida". Essa frase carrega o peso de uma realidade dura: o mundo é mestre em desajustes. A imensa maioria de nós caminha em um deserto onde não há talento nem meios, apenas a sobrevivência nua. Existe também o abismo dos que possuem o fogo do gênio, mas carecem de um chão onde pisar, enquanto outros desfilam sobre privilégios e recursos sem jamais terem o que dizer ao mundo. Esse desencontro constante é o que silencia grandes histórias antes mesmo de serem escritas.
A grande virada ocorre quando entendemos que a verdadeira arte do encontro, aquela que realmente incendeia o destino, é o alinhamento raro entre o talento que você cultiva e a oportunidade que finalmente surge. É o momento em que a sua capacidade interna, forjada no silêncio e na carência, encontra o meio material para se manifestar. Se você é "duro", se a vida tem sido um exercício de resistência, e de repente raia no horizonte uma chance de ir em frente, entenda: o universo acabou de realizar um de seus poucos acertos.
Quando esse encontro entre o seu talento e a oportunidade acontecer, não perca tempo com a dúvida ou com a modéstia. Avance com uma fome absoluta. Agarre essa chance com toda a força que guardou nos anos de espera; crave os dentes nela e não solte, porque a vida não tem o hábito de repetir esses milagres. A sorte, nesse caso, é apenas a porta aberta; quem atravessa é você, e o preço da passagem é o suor. Oxigene essa maré favorável com cinco, dez vezes mais esforço do que você imaginava ser capaz. Faça desse encontro o seu foco cego e inabalável. Somente essa entrega feroz pode transformar um lampejo de sorte em uma vitória definitiva. Trabalhe até que o destino não tenha outra escolha senão deixar você chegar lá.
Por Seu Felixx